(Junho de 21, 2024) Conhecida como o 'Ciclone' por uma razão, Puja Tomar invadiu seu caminho até o topo do circuito indiano de artes marciais. Neste mês, ela fez história como a primeira indiana a conquistar a vitória no Ultimate Fighting Championship (UFC), nos Estados Unidos. Vindo da vila de Budhana, em Muzaffarnagar, Uttar Pradesh, Puja quebrou barreiras no ano passado ao se tornar a primeira mulher indiana a garantir um contrato com o UFC, a prestigiada empresa de promoção de artes marciais mistas com sede em Las Vegas, Nevada. Ex-campeã nacional de Wushu (artes marciais chinesas), ela mostrou suas habilidades em competições internacionais cheias de ação de Mixed Martial Arts (MMA), como Matrix Fight Night e ONE Championship.
No dia 8 de junho deste mês, Puja garantiu uma vitória monumental ao derrotar a brasileira Rayanne Amanda dos Santos, marcando a primeira vitória da Índia no UFC. Essa conquista ocorre mais de uma década depois que o UFC abriu oficialmente suas portas para mulheres lutadoras em 2013.
Dominada de felicidade, Puja começou a chorar quando seu nome foi anunciado como vencedor. “Quero agradecer ao meu Senhor Jesus Cristo. É por causa Dele que estou aqui”, disse ela, com a voz trêmula de emoção e lágrimas brotando de seus olhos. “Estou muito entusiasmado e quero declarar que os combatentes indianos não são perdedores. Estamos indo até o fim. Não vamos parar”, disse ela em meio a aplausos da multidão em Louisville, Kentucky.
Persistência diante dos fracassos
A jornada de Puja não ocorreu sem contratempos. Depois de sofrer quatro derrotas consecutivas no ONE Championship, ela competiu no Matrix Fight Night (MFN) em 2021, onde triunfou em quatro lutas. A partir daí, sua posição no circuito indiano de artes marciais começou a subir. Em seus campeonatos recentes, ela treinou no Soma Fight Club em Bali, na Indonésia.
“Já enfrentei julgamentos sobre meu corpo, com pessoas dizendo que ele se assemelha ao físico masculino. No entanto, as mentalidades estão mudando gradualmente à medida que as artes marciais mistas ganham reconhecimento”, comentou ela em entrevista.
Começando jovem
Puja começou sua jornada nas artes marciais aos 12 anos, após a perda de seu pai. Crescendo com duas irmãs, ela se inspirou nos filmes de Jackie Chan e aprendeu Karatê inicialmente para protegê-las.
Porém, as regras do Karatê eram restritivas e ela buscou um esporte mais exigente fisicamente. “Eu precisava de algo áspero e difícil, então escolhi as artes marciais”, explicou ela.

Puja Tomar
Durante sua adolescência, Puja representou a Índia no Campeonato Mundial de Wushu antes de se voltar para o Mixed Martial Arts (MMA) em 2013, após sua vitória no MFN Strawweight Championship.
No que diz respeito às técnicas das lutas, ela prefere o Heel Hook para agarrar e o SideKick para golpear os adversários. Ela mergulhou tão profundamente no jogo que sua agressividade começou a se tornar fortemente evidente, o que levou seus treinadores a trabalharem para diminuí-la ao longo do tempo.
Indo a milha extra
Desde muito jovem, Puja sempre aspirou alcançar algo extraordinário. “Minha mãe tem sido minha maior apoiadora, incentivando-me a lutar pela grandeza, apesar de suas lágrimas iniciais ao me ver ferido quando comecei a praticar Wushu quando criança”, compartilhou Puja.
Ela dedicou sua recente vitória no UFC à mãe, reconhecendo: “Minha mãe lutou contra todas as probabilidades para me ajudar a chegar onde estou hoje”.
Reconhecida como uma das melhores lutadoras do circuito indiano, Puja Tomar recebeu as boas-vindas de um herói ao retornar à Índia e durante sua visita à sua aldeia, Budhana, em Uttar Pradesh.


Puja Tomar
Refletindo sobre seu recente triunfo minutos após a vitória, ela comentou: “Entrar na arena do campeonato com a bandeira indiana pouco antes do torneio me encheu de imenso orgulho e me deu arrepios. Caminhar com a bandeira indiana pareceu um momento maior do que a vitória em si.”
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